segunda-feira, 23 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Entrevista com Marcelo Munhoz
Marcelo Munhoz é um artista completo: é ator, diretor e roteirista. No teatro, realizou o espetáculo Paredes de Vento, em 1995, que rendeu-lhe 15 premiações. Também atuou nos espetáculos Killer Disney (vencedor do prêmio Gralha Azul de 1998), e Fragmento B3 (indicado ao Gralha Azul 2001 de melhor ator).No cinema, Munhoz também não deixa a desejar. Desde 2002, atua como diretor de atores para vídeo e cinema. Desde 2003, coordena, ao lado do cineasta Paulo Coelho, o Projeto Olho Vivo, centro de formação e produção audiovisual.
- Quais são as maiores dificuldades de trabalhar com cinema em Curitiba?
São as mesmas do resto do Brasil, ou seja, o cinema não se desenvolveu tanto, não havia escolas. De três anos pra cá está havendo uma melhora significativa, com criação de escolas, pesquisas, qualidade técnica e artística. Há dez anos era uma aventura fazer um filme, documentário... Hoje em dia também é, porém ficou mais fácil, já que houve um barateamento na produção. Mas devagar e com muito esforço nós vamos melhorando.
- Na sua opinião, que características um jovem deve ter para começar a trabalhar com cinema?
Independente de ter ou não sucesso, você tem que gostar muito do que faz. Somente "namorar" não basta, o dia-a-dia é muito trabalhoso. Existem várias funções no cinema, como câmera, escritor, produtor, etc... Em algum momento, você deve descobrir o que quer de verdade.
- Há muitos que falam que se deve ter um dom para trabalhar com cinema. O que você pensa a respeito?
O dom a gente desenvolve. Eu trabalho com arte há 20 anos e já vi muita gente com talento que não se desenvolveu, e outros com muita vontade que deram certo.
- A internet contribui para a divulgação de produções independentes? De que forma?
Sem dúvida, a internet é uma arma poderosa, um canal maravilhoso para quem souber usar de forma produtiva. Antes só havia a TV e o cinema era restrito e limitado. Eram os "donos" que definiam o que você via, escutava. Hoje existe o You Tube, por exemplo. Lá existem coisas boas e ruins, mas você pode escolher o que quer ver.
- Você trabalha no Projeto Olho Vivo. Pode explicar como ele funciona?
Esse projeto existe há cinco anos. Temos uma oficina de audiovisual, cursos de roteiro, edição, interpretação... Já fomos inclusive premiados. (http://www.projetoolhovivo.com.br/).
- O que falta para que o Paraná consiga um lugar de destaque na indústria cinematográfica nacional?
É só continuar a fazer o que está sendo feito hoje, produzindo mais e com mais qualidade. Eu acho que Curitiba tem vocação para teatro e que o clima frio ajuda a manter essa tradição. Mas ao longo das décadas o cinema vai indo por este mesmo caminho, conquistando cada vez mais espaço e conseguindo apoio. Mas tudo se constrói com trabalho.
sábado, 7 de junho de 2008
Cinema nas Livrarias Curitiba
Ciclo de Cinema "O Festival de Cannes", com Tom Lisboa
Data: 11 de junho
Local: Livrarias Curitiba Shopping Estação
Exposição Fotográfica - "O cinema autografado"
de 1 a 27 de junho
Local: Livrarias Curitiba Shopping Estação
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Curso de Cultura Cinematográfica
JUNHO / 2008
Primórdios do Cinema Brasileiro (1920-1960)
Data: 9 e 10 de junho 2008
Horário: 19h às 21:15h
Professor: Tom Lisboa
Conteúdo: Contextualização histórica, Ciclos Regionais, Tentativas de industrialização: Estúdios da Cinédia, Atlântida e Vera Cruz
Valor: R$ 80
Informações: (41) 9965-2565 ou tomlisboa@terra.com.br (turma com no máximo 5 alunos)
Cinema Independente Norte-americano
Data: 16 e 17 de junho 2008
Horário: 19h às 21:15h
Professor: Tom Lisboa
Conteúdo: Contextualização histórica, Cinema Noir, Cinema Independente 1960-1970
Valor: R$ 80
Informações: (41) 9965-2565 ou tomlisboa@terra.com.br (turma com no máximo 5 alunos)
Cineclube Contramão
O Cineclube Contramão foi criado com o intuito de exibir na íntegra para a comunidade filmes menos convencionais e que estão inseridos na contramão do massificado cinema industrial.
Ingresso: Entrada Franca
Horário: 19h
Local: Espaço Cinevideo, da Video Um - Rua Padre Anchieta, 458 - 3223-4343
Próximos filmes que serão exibidos:
13 de junho de 2008
O Mundo (2004,CHI)
Jia Zhang Ke
27 de junho de 2008
São Paulo S/A (1965,BRA)
Luís Sérgio Person
http://www.sintomnizado.com.br/contramao.htm
Curtas ou Longas-Metragens?
Lembre-se também que é mais fácil mostrar dois curtas do que um longa em um festival. De acordo com o diretor Marcos Jorge, fazer um filme de longa metragem é aquilo pelo qual um diretor se prepara a vida inteira e o maior desafio de um todo nesse processo é enfrentar o papel em branco, contar uma história e acreditar nela a ponto de atravessar todos os obstáculos de uma produção. Para Marcos, o esforço pra fazer um curta não é menor do que fazer um longa. “Num curta você tem que ser muito objetivo e econômico nos meios de contar essa história se não, não dá certo”, afirma.
Na opinião de Marcos nesta história toda de cinema em Curitiba há um ponto a favor dos iniciantes que querem se dedicar aos curtas-metragens. Para ele, manter uma pessoa durante 10 minutos com os olhos na tela é mais fácil do que 2 horas. “No curta é possível exercitar a linguagem e no longa é o momento de dar a cara pra bater”, diz.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Labuta de abelhas
O cinema é um meio de comunicação coletivo, e não individualista. De acordo com Rabiger (2007), a produção cinematográfica é um local de encontro, de colaboração e de compromisso entre roteiristas, dramaturgos, atores, diretores de arte, editores e técnicos de todos os tipos, exibidores, executivos, financiadores e distribuidores. O árduo trabalho destes profissionais torna a produção viável.
Não fomos nós que inventamos isso! Trate de arranjar a sua equipe e ouça a voz de um especialista. Ingmar Bergman considera o cinema um esforço coletivo, no qual a criatividade compartilhada produz algo maior do que a simples soma de suas partes.
No início da carreira é muito comum você assumir funções que nada tem a ver com a direção. Talita Fioravante, acadêmica do 6º período de comunicação da PUCPR e futura cineasta, que o diga! Na produção do curta metragem “As últimas coisas”, que será lançado no final deste mês, além de diretora geral, ela fez um pouco de tudo: cuidou do figurino, foi editora, tesoureira, um pouco marketeira, produtora entre outras atividades. “Por mais que haja um planejamento determinando do que cada um vai fazer no filme é impossível seguir à risca, pois imprevistos acontecem”, diz.
Ao se tornar um profissional do cinema, o trabalho em equipe se torna mais sério. O diretor ganha uma maior autonomia e pode se dedicar exclusivamente à direção. Na produção do filme ‘Estômago’, o diretor Marcos Jorge percebeu a importância de trabalhar em grupo e expressou uma visão do set de filmagem que chega a ser romântica. Marcos julga o set como uma concentração de vida, uma espécie de universo concentrado, no qual todos os problemas e alegrias do mundo se evidenciam. Para ele todas as tensões das relações entre as pessoas se configuram em um processo humano muito rico.
Quero ser cineasta!
No Paraná é difícil exercer a profissão, mas não impossível! Há pontos a seu favor, como a existência de cursos de graduação, pós-graduação e profissionalizantes que podem contribuir para a sua formação em cinema:
FAP - Faculdade de Artes do Paraná
Curso: Bacharelado em Cinema e Vídeo (Graduação)
Características: teórico-prático e visa à formação superior de profissionais dedicados à execução e pesquisa de produções em Cinema e Vídeo.
Informações: www.fapr.br / (41) 3250-7301
PUCPR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Curso: Especialização em Comunicação Audiovisual (Pós-graduação)
Características: atualização e aperfeiçoamento de profissionais na área de audiovisual (com ênfase em cinema e televisão).
Informações: www.pucpr.br
UTP - Universidade Tuiuti do Paraná
Curso: Extensão em Cinema
Características: fornecer referencial teórico para análise e crítica da obra cinematográfica, capacitar discentes a escrever roteiros e produzir/editar curtas digitais, oportunizar a participação em mostras/festivais de cinema e preparar discentes para o mestrado em Comunicação e Linguagens.
Informações: www.utp.br
Centro Europeu
Curso: Cinema Digital
Características: preparar o aluno para atuar profissionalmente em diversas áreas do meio audiovisual que operam com tecnologia digital. O curso conta com a parceria de realizadores cinematográficos de destaque como Fernando Severo, Gil Baroni e Diego Lopes.
Informações: (41) 3222-6669
Apesar das ofertas de cursos em Curitiba, você deve ficar atento. As faculdades de cinema são recentes e têm feito um bom trabalho no ensino da história e das técnicas, porém as melhores instituições são as que tentam deixar o aluno experimentar e colocar para fora suas idéias a respeito do mundo e não engessar a sua criatividade. Além dos cursos de cinema existem também iniciativas de exibição de curtas e longas-metragens produzidos em Curitiba, o que pode ser útil quando você tiver algum material pronto.
Putz - Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba
É um espaço para a exibição dos vídeos produzidos por acadêmicos. A proposta do festival é divulgar e incentivar a produção audiovisual e reunir os estudantes para discutir o tema em encontros com realizadores, profissionais e professores da área, tornando possível o intercâmbio de idéias e informações.
MeMostra
Mostra permanente de filmes paranaenses. Toda última quarta do mês. Inscrições abertas para 2008 e 2009. Regulamento no e-mail para: memostracuritiba@gmail.com
terça-feira, 3 de junho de 2008
Vem aí... "Direção de Cinema - Guia para Iniciantes"
Michael Rabiger inicia o seu livro, Direção de Cinema - Técnicas e Estética, se apresentando como uma pessoa que passou muitos anos ajudando os outros a darem seus primeiros passos no caminho tortuoso das produções cinematográficas. Dedicamos a primeira edição do “Direção de Cinema - Guia para Iniciantes” a ele, já que nosso intuito é fazer o mesmo pelos jovens aprendizes de diretores, porém no contexto curitibano.
O objetivo do projeto é ensinar o caminho das pedras aos interessados em fazer cinema em Curitiba. A idéia é mostrar quais são os desafios de trabalhar com o cinema no Paraná, um estado com tão pouca tradição de grandes produções audiovisuais. A metodologia compreende entrevistas semi-estruturadas com cineastas curitibanos, pesquisadores do cinema paranaense, estudantes que ambicionam a profissão e produtores que trabalham com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Um pouco de cinema paranaense
O cinema chegou rápido no Brasil e, em menos de dois anos após a primeira sessão do cinematógrafo Lumière, em Paris, em 1895, o Paraná já podia prestigiar esse movimento. Isso graças a um cinematógrafo trazido à capital paranaense por uma companhia de variedades itinerantes.
Mas foi só lá por 1907 que o cinema local começou a despertar. Até meados da década de 30, as produções paranaenses se limitaram a filmes documentais realizados por três diretores: Annibal Requião, Arthur Rogge e João Baptista Groff. O cinema era mudo e ainda muito amador. Poucos sabiam distingüir os filmes quanto à qualidade.
De lá pra cá, muita coisa mudou. A utilização do som obrigou os cinemas a investirem em tecnologia, muitos cinegrafistas buscaram profissionalização na Europa ou nos Estados Unidos e os roteiros passaram a ser mais elaborados. Com o advento do digital, as produções também tornaram-se mais baratas, impulsionando o crescimento da indústria de cinema.
O Paraná, que até os anos 30 contava com três cineastas, hoje perde as contas de quantos talentos tem. Alguns dos principais realizadores até então são Paulo Munhoz, Fernando Severo, Marcos Jorge, e Beto Carminatti.
domingo, 25 de maio de 2008
Entrevista com Marcos Jorge
Veja a entrevista com Marcos Jorge, diretor do Estômago no Youtube:
Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=99PkVg60f_U
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=UZh2wTd4tNU&feature=related
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=LhbfiwDPgwI&feature=related
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=LhbfiwDPgwI&feature=related
Produção: Avallon Media
Novelle Vague
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Música diegética e extradiegética
Por Maria Eduarda
Como já dito no outro texto sobre sons no cinema, os sons e a música são responsáveis por ajudar a construir “o clima” da cena. Embora Michael Rabiger, no livro Direção de Cinema (Rio de Janeiro, 2007), diz que a música não deve ser usada para intensificar o que já é visto na tela, vemos que música no cinema (e nas telenovelas) são, sim, intensificadoras das imagens. Rabiger diz que a música deve “sugerir o que não pode ser visto” e cita o exemplo clássico dos violinos de Bernard Herrmann em Psicose (1960).
O autor ainda lembra que a música nunca deve entregar o final da história. E também não deve “narrar” todos os acontecimentos. Usada de forma errada e exagerada, a música e os efeitos sonoros podem tornar o filme cansativo. É importante lembrar que o silêncio também é eficaz e pode ser usado a favor da narrativa.
O som que participa da narrativa da película; que faz parte do universo dos personagens, é a música Diegética. Um exemplo é quando, na cena, existe alguém tocando piano, ou ouvindo música. Ou seja, a música existe na cena, e está fazendo parte da história a ser contada.
A música Extradiegética é aquela que é dirigida ao público, ou seja, não faz parte da cena, o personagem não ouve nem reage à ela: “Por definição, a música extradiegética não indica aquilo que vê um personagem porque ela se situa fora de sua história. Ela é, ao contrário, um índice da voz narrativa” (Vanoye, 1989, p. 147)
Referências
RABIGER, M. 2007. Direção de Cinema. Rio de Janeiro, Editora Elsevier
MÁXIMO, J. 2003. A música do cinema. Rio de Janeiro, Editora Rocco.
http://www.revistaav.unisinos.br/index.php?e=1&s=9&a=33
http://www.scoretrack.net/thebirds.html
Som direto, som de produção. Como quiser..
Muitas vezes durante a gravação, dependendo da locação, algum ruído compromete o som do filme e a prioridade no momento é a cena registrada e não o som. Por isso, para ter um som melhor, qualquer fala que faltar, pode ser feita novamente dentro de um estúdio. Tudo para obter o melhor resultado.
Às vezes acontece uma verdadeira guerra entre diretor e técnico de som. Um defende a naturalidade e o outro a qualidade. “Existe um tabu no Brasil de que dublagem é ruim porque perde a naturalidade, mas é só fazer direito. Tudo depende do ator e da direção” diz Bruno Hack, que trabalhou durante a gravação das cenas como microfonista do filme Estômago que estreou no Brasil em abril de 2008. Tudo tem que ser pensado para que no final se tenha um som limpo e bem feito.
“Estômago foi um divisor de águas para o cinema paranaense, pois tinha bastante recurso quando se fala de cinema paranaense”, lembra Bruno. Na relação sinal / ruído, muitas vezes quem ganha é o ruído. Por isso, o melhor a se fazer é tentar obter um resultado melhor no estúdio.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Um pouco de Estômago na PUCPR
Alunos de jornalismo trazem assistente de arte do filme Estômago para coletiva
Alessandro iniciou a coletiva contando como foi parar no filme. Arquiteto de formação e cinéfilo por amor. Por ironia do destino foi através da arquitetura que Alessandro foi convidado a participar da produção do filme. Marcos Jorge sentiu falta de um arquiteto para a cenografia e pediu para que ele desse uma assistência. Alessandro conta que a cela foi construída para o filme. A missão de quem faz a direção de arte é trazer para os lugares a sensação de ocupação humana. “Nós construímos a cela e depois tivemos que sujar, quebrar as paredes, rabiscar e tentar fazer com que ficasse com cara de usada”, disse.
“Estômago aborda a baixa gastronomia e faz coisas feias parecerem belas” afirmou o assistente deixando clara a sua admiração pelo filme. De acordo com ele o trabalho foi árduo. Yamada lembrou que as cenas mais difíceis foram a do Mercado Municipal e a do banquete que Nonato prepara na prisão. Aquela, pela quantidade de figurantes envolvidos e os horários disponíveis para filmagens, e esta pelo fato de que era necessário montar um leitão destroçado e outro inteiro. “Nós compramos um leitão cru e pintamos com verniz para que ele parecesse douradinho”, diz. A turma ficou impressionada ao saber do truque, pois na telinha parecia delicioso.
Outra cena que Alessandro considerou complicada foi a da formiga entrando no nariz de Nonato. A equipe tentou de tudo para a formiga entrar no nariz do João (Miguel), mas nada dava certo. Até que eles tiveram a idéia genial de fazer um molde de resina do rosto de Nonato e colocar um ovo de formiga dentro do nariz do molde. “Assim, instintivamente a formiga foi atrás do ovo e conseguimos fazer a cena”, afirmou.
Além de dar informações sobre o processo produtivo de Estômago, Alessandro falou sobre as dificuldades de produzir um longa paranaense. De acordo com ele o estado está fora do eixo devido ao seu conservadorismo. Alessandro acredita que fazer cinema é contestar e isto é muito difícil em um local em que as pessoas tem uma cabeça fechada e poucas escolas de cinema que formem verdadeiros diretores. “Tecnicamente, Curitiba não deixa a desejar para as outras capitais, porém o problema está no campo das idéias”, disse.
Alessandro alerta os futuros cineastas da turma que fazer um filme não é uma atividade viável economicamente e ainda é algo que, se bem feito, demora muito tempo para ficar pronto. De acordo com ele, um filme bom demora em média quatro anos para ficar pronto entre planejamento, produção e exibição. “É um trabalho que exige paciência e muita força de vontade”, afirma.
Mais informações
Alessandro Yamada
alessandro@zencrane.com
Embrulho no Estômago
Nonato chegou de madrugada às paisagens curitibanas, faminto. Entrou em um boteco sujo e mal encarado no centro da cidade e pediu duas coxinhas engorduradas. Comeu e dormiu no balcão. Até que o seu Zulmiro (Zeca Cenovicz), dono do bar, acordou-o e pediu para que ele pagasse a conta. Raimundo Nonato recusou, pois não tinha um tostão. Lavou pratos a noite inteira, e na manhã seguinte foi contratado como cozinheiro.
Logo nas primeiras receitas que prepara, o rapaz descobre que tem dom para a cozinha. Com suas coxinhas, Nonato atrai muitos clientes para o bar e se torna conhecido na região. Ao perceber o talento nato de Raimundo, seu Giovanni (Carlo Briani), dono de um restaurante italiano o contrata como assistente. A nova vida trouxe à ele o amor quase doentio pela prostituta Iria (Fabiula Nascimento).
O filme tem uma estrutura não linear que apresenta duas ações que se passam ao mesmo tempo. Uma é a de Nonato iniciando seu trabalho no boteco e outra dele chegando em uma prisão. A curiosidade para saber porque o destino virou a cara para ele é um dos grandes segredos do filme, só revelado no final.
Os atores que participaram da produção são muito experientes e foram escolhidos a dedo. João Miguel, o protagonista, é um personagem cativante que apresenta uma linha tênue entre ingenuidade e esperteza. Não é a toa que ele ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Punta del Este.
Alessandro Yamada, assistente de arte do filme afirma que a escolha dos atores não foi nada fácil. Muitos testes foram feitos até chegar à composição do elenco. “A Fabiula Nascimento se esforçou muito para conseguir o papel”, diz. Marcos Jorge estava em dúvida entre ela e a Guta Stresser. Na escolha, a gordinha foi contemplada, pois ela dava conta do recado.
O filme foi feito com muito cuidado, cada detalhe foi estudado previamente. A produção dá uma esperança aos curitibanos que o cinema da terrinha pode crescer e se tornar tão bom quanto os do eixo Rio-São Paulo. Digo aliviada que da boca ao ânus, Estômago faz um espetacular caminho digestivo.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
O som do cinema brasileiro é de Curitiba
O cinema evoluiu, o som no cinema também. Hoje existem engenheiros de áudio especialistas em criar e recriar sons em filmes. Conversamos com Alessandro Laroca e Eduardo Virmond Lima, dois curitibanos engenheiros de áudio responsáveis pelo som de mais de dez filmes brasileiros, como Tropa de Elite e Cidade de Deus.
O som deve ajudar a definir a linha da história contada pelas imagens. No set de filmagem, dificilmente o diretor tem a preocupação com os sons que podem vazar. As locações são construídas com pouca – ou nenhuma – consiência das implicações para o som. E é aí que entra o trabalho do engenheiro de áudio. Capaz de estudar todas as possibilidades de som para o filme, captar outros sons e sincronizar de forma harmônica com as imagens.
O som construído em cima da cena em que o Capitão Nascimento está no seu carro S10, não é o mesmo captado pelos microfones do set de filmagem. O som veio com falhas e “sujo” demais para poder ser usado. Por isso, Eduardo Virmond pegou carona com a S10 do seu irmão para gravar o som do automóvel e colocar na cena de Tropa de Elite. O mesmo aconteceu com Cidade de Deus: em algumas cenas, o som original não podia ser usado, por isso Eduardo foi até bairros carentes de Curitiba e captou sons de carros, cachorros, crianças brincando na rua e sincronizou com as imagens do filme. Pouca gente sabe que os sons de favela de Cidade de Deus são na verdade sons de bairros de Curitiba.
O engenheiro de áudio trabalha basicamente com quatro variáveis:
Diálogo – quando não é bem feito – ou quando o som está “sujo” demais com outros sons, às vezes é preciso fazer o ator dublar em estúdio a cena.
BG – são os chamados “bafos”. Sons existentes naturalmente em qualquer ambiente.
Efeitos de BG – são os efeitos criados em cima dos BGs já existentes. Como tiros.
Foley – chamado também de “ruídos de sala”. É a técnica que faz com que o som já capturado no set seja reforçado, tornando o ambiente sonoro mais vivo, dando também mais espacialidade, através de passos, sons de objetos caindo, sons de movimentação dos atores. Quem inventou essa técnica foi Jack Foley, editor de som da Universal Studios no início da década de 50.
O desenho de som ajuda a definir situações: cena de tensão; música de tensão, passos e som de respiração. Eduardo Virmond acredita que manipular o som a favor do filme ajuda a construir a história a ser contada. E lembra: "Todos os elementos, tanto visuais como auditivos devem trabalhar juntos. O som só é bem feito quando não se consegue percebê-lo".
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Cinema de Ciro Matoso
Ciro Jocelim Matoso aprendeu a gostar de aventuras ainda quando criança. Não é qualquer um que viaja de canoa para mudar de casa. Aos nove anos, Ciro saiu do litoral de São Paulo com a família em direção a Paranaguá - cidade que o despertaria para seu ofício de vida, o cinema. Inspirado por filmes de bang-bang, que assistia em matinês, e em atores como John Wayne, protagonista de No Tempo das Diligências, o cineasta conta as interessantes histórias de suas obras como quem se orgulha do que fez e ainda quer mais.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
11º Dia de Filmagem (06/05)
Luis Filipe Godinho muito nos honrou com a sua participação.
- Mas ele vai apresentar um show de roupão e chinelo?
- Aham!
Duda se tornou assistente de palco. Sorridente ela entrega envelopes coloridos ao pai de Alfredo.
- O que? Assistente de palco? Envelopes coloridos?
Chegamos a conclusão de que Tato França é um Alfredo perfeito! Sem tirar, nem pôr!
Tato: "- Na verdade eu não sou ator! Eu só quero aparecer"
segunda-feira, 5 de maio de 2008
10º Dia de Filmagem (30/04)
Bastidores
- E esta maquete aí?! De onde surgiu?
- Do ateliê de uma "profissional"!
- R$ XXX não é muito caro? (que vergonha de colocar o preço very expensive!!!)
- Nãããão! Imagina!
- 20X20 não é muito pequena?!
- Nãããão!
- Por que vocês mandaram fazer?
- Você saberá na próxima filmagem!
- Quem é aquele ali na praia? o Náufrago?
- Não adianta perguntar... Minha boca é um túmulo!
9º Dia de Filmagem (28/04)
Saldo do dia: produtivo
Ciro Matoso, o cineasta de Paranaguá
terça-feira, 15 de abril de 2008
8º Dia de Filmagem (14/04)
Saldo do dia: produtivo
domingo, 13 de abril de 2008
6º e 7º Dia de Filmagem (11-12/04)
"Está autorizado pela Divisão de Serviços Especias a gravação de uma cena, conforme pedido abaixo com a seguinte ressalva: que os sepultamentos no referido cemitério ocorrem a partir das 9h da manhã. Portanto, a equipe estará sujeita a interrupções no periodo compreendido entre 9h e 10h. Qualquer dúvida no local procurar Sr. Mizael Atenciosamente Celia Hosoume Relações Públicas SMCS/CSRP 3350-8870"
Nosso curta sofrerá um pequeno atraso...
sábado, 12 de abril de 2008
Não vimos o sol desta vez
No sexto dia de gravação, o clima e o horário não condiziam com o nome do filme, que é "Eu vi o sol". Fazia frio e garoava. A madrugada escura prejudicou um pouco as imagens, e a chuva, logo cedo, impossibilitou a gravação no Cemitério São Francisco de Paula. Fazer o que...Mas a experiência foi válida e nos trouxe aprendizado. Percebi o quão minucioso deve ser o planejamento do processo produtivo de um filme, ainda mais quando não se tem o apoio de um cinegrafista e quando todo tipo de imprevisto ocorre.
Tudo exige uma solução imediata, e essa certa pressão que nós mesmos nos impomos pode ser tanto motivo de desmotivação quanto de um ânimo novo, de uma vontade ainda maior de conseguir. Ainda bem que nos encaixamos no segundo caso.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
5º Dia de Filmagem (10/04)
Talita orienta: "Vamos começar pela cena da mãe do Alfredo deitada na cama, sem esperança"
Penumbra, 40°C dentro de casa, e a tia do Eduardo aceita ser a nossa figurante, mãe do Alfredo. Tadinha, ela teve que deitar na cama com o cobertor até as orelhas para filmarmos a primeira cena!
Avô do Alfredo, vestido com o pijama do pai da Talita, se prepara para fazer a cena em que ele vai conferir se a sua filha (mãe do Alfredo) já se levantou.
Eu e a Talita estávamos no Terminal do Portão, às 18h30, esperando o Gustavo, quando presenciamos dois assaltos (um deles com uma arma). Nós ficamos muito assustadas! Celina, no sentido literal, não mais "daremos a nossa vida" pelo filme. Faremos o possível para fazer um curta de boa qualidade, mas Terminal do Portão, NUNCA MAIS!
4º Dia de Filmagem (09/04)
Luz! ok! Câmera! ok! Som! ok! Ator? A nossa diretora Talita foi orientar o pai de Alfredo! Na verdade, ele nem precisava de orientação!!! Logo na primeira cena percebemos que o Daniel nasceu ator! Ele deu vida ao roteiro! Valeu, Daniel!
Duda fazendo graça: "Eu posso falar com o ator?"
Talita explica: "Não Duda, você é figurante!
Duda tomando cerveja: "Aaaaaaaah! Hauahauahaua!"
Felipe se encarregou do making off ao Blue Night (nossa gelatina azul tutti frutti).
Na saída do Empório, o Eduardo ofereceu uma carona pra mim e pra Thaís já que nós moramos pro mesmo lado da cidade. A Duda saiu do bar junto com a gente, nos despedimos e cada um foi pro seu carro. A Thaís viu que tinha um cuidador de carro muito mal encarado perto do carro da Duda. Então, ela pediu pro Edu esperar a Duda entrar no carro pra ver se o tal cuidador não ia assaltar. Paramos o carro na quadra da frente e a Thaís ficou olhando pelo retrovisor para ver se a Duda estava bem. De repente...
Thaís pula do carro e grita: "Heeeeeeeeeeeeeeei..."!
Eduardo puxa o freio de mão, sai do carro e grita: "Oooooooouuhh"!
Ju com o celular na mão: "190! 190!"
30 segundos depois...
Thaís: "O cuidador-assaltante era só um amigo da Duda".
HAUAHAUAHAUAHAU!
terça-feira, 8 de abril de 2008
Coisas, coisas, coisas
É dose. Tinha umas idéias na cabeça e escolhemos a pior para mostrar pra professora. Mas a Celina meio que torceu a cara e a gente retrocedeu. Resolvemos fazer direitinho, levamos outro roteiro. JÓIA. No fim das contas, foi.
É muito engraçado ver aquilo ali do papel sendo falado. A coisa ganha outra cara, cada um imagina de um jeito. A gente vai se empolgando.
Eu quero ver no que vai dar. Nessas alturas, eu chamaria o filme de “O Monstrengo”.
3º Dia de Filmagem (08/04)
Cena do sofá. Alfredo escuta a voz do avô.
Simulação da noite. Sentimos falta da gelatina de tutti-frutti azul - Blue Night.























