segunda-feira, 23 de junho de 2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

Entrevista com Marcelo Munhoz

Marcelo Munhoz é um artista completo: é ator, diretor e roteirista. No teatro, realizou o espetáculo Paredes de Vento, em 1995, que rendeu-lhe 15 premiações. Também atuou nos espetáculos Killer Disney (vencedor do prêmio Gralha Azul de 1998), e Fragmento B3 (indicado ao Gralha Azul 2001 de melhor ator).

No cinema, Munhoz também não deixa a desejar. Desde 2002, atua como diretor de atores para vídeo e cinema. Desde 2003, coordena, ao lado do cineasta Paulo Coelho, o Projeto Olho Vivo, centro de formação e produção audiovisual.

- Quais são as maiores dificuldades de trabalhar com cinema em Curitiba?
São as mesmas do resto do Brasil, ou seja, o cinema não se desenvolveu tanto, não havia escolas. De três anos pra cá está havendo uma melhora significativa, com criação de escolas, pesquisas, qualidade técnica e artística. Há dez anos era uma aventura fazer um filme, documentário... Hoje em dia também é, porém ficou mais fácil, já que houve um barateamento na produção. Mas devagar e com muito esforço nós vamos melhorando.

- Na sua opinião, que características um jovem deve ter para começar a trabalhar com cinema?
Independente de ter ou não sucesso, você tem que gostar muito do que faz. Somente "namorar" não basta, o dia-a-dia é muito trabalhoso. Existem várias funções no cinema, como câmera, escritor, produtor, etc... Em algum momento, você deve descobrir o que quer de verdade.

- Há muitos que falam que se deve ter um dom para trabalhar com cinema. O que você pensa a respeito?
O dom a gente desenvolve. Eu trabalho com arte há 20 anos e já vi muita gente com talento que não se desenvolveu, e outros com muita vontade que deram certo.

- A internet contribui para a divulgação de produções independentes? De que forma?
Sem dúvida, a internet é uma arma poderosa, um canal maravilhoso para quem souber usar de forma produtiva. Antes só havia a TV e o cinema era restrito e limitado. Eram os "donos" que definiam o que você via, escutava. Hoje existe o You Tube, por exemplo. Lá existem coisas boas e ruins, mas você pode escolher o que quer ver.

- Você trabalha no Projeto Olho Vivo. Pode explicar como ele funciona?
Esse projeto existe há cinco anos. Temos uma oficina de audiovisual, cursos de roteiro, edição, interpretação... Já fomos inclusive premiados. (http://www.projetoolhovivo.com.br/).

- O que falta para que o Paraná consiga um lugar de destaque na indústria cinematográfica nacional?
É só continuar a fazer o que está sendo feito hoje, produzindo mais e com mais qualidade. Eu acho que Curitiba tem vocação para teatro e que o clima frio ajuda a manter essa tradição. Mas ao longo das décadas o cinema vai indo por este mesmo caminho, conquistando cada vez mais espaço e conseguindo apoio. Mas tudo se constrói com trabalho.

sábado, 7 de junho de 2008

Cinema nas Livrarias Curitiba




Ciclo de Cinema "O Festival de Cannes", com Tom Lisboa


O palestrante Tom Lisboa irá falar sobre a história do Festival de Cannes e os premiados da edição deste ano. Criado em 1946, o festival sempre acontece em maio na cidade francesa de Cannes e já consagrou cineastas como Luis Buñuel, David Lynch, Quentin Tarantino e Martin Scorsese. Tom Lisboa é Mestre em Comunicação e Linguagens, pela Universidade Tuiuti do Paraná, criador do Curso de Cultura Cinematográfica e responsável pelo Cineclube Contramão. Em 2004 publicou o livro “Entre a Estatueta do Orcar e o Oscar da Estatueta”.

Data: 11 de junho
Horário: 19h30
Local: Livrarias Curitiba Shopping Estação

Exposição Fotográfica - "O cinema autografado"
de 1 a 27 de junho

Antonio Enéas de Oliveira é um apaixonado por cinema. Desde o início da década de 50, quando morava em Astorga e freqüentava um pequeno cinema de madeira, acompanha a carreira dos principais astros de Hollywood. Na adolescência, manteve contato com diversos estúdios cinematográficos e reuniu mais de 75 fotos autografadas especialmente para ele. Nesta exposição, você confere 15 ampliações dessas verdadeiras relíquias e 27 imagens originais. Como diz o colecionador: “Essas fotos são doces lembranças de uma época maravilhosa”.

Local: Livrarias Curitiba Shopping Estação

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Curso de Cultura Cinematográfica




O curso "Cultura Cinematográfica" ministrado por Tom Lisboa é uma oportunidade do público estreitar sua ligação com a arte cinematográfica. Através dos temas propostos pretende-se instigar a curiosidade do espectador sobre a construção de um filme e aprimorar sua visão crítica sobre cinema visando contribuir, principalmente, para a formação de novos hábitos culturais. Os principais objetivos do curso são: Analisar o desenvolvimento do cinema enquanto arte e indústria; Identificar os principais elementos que compõem a linguagem cinematográfica; Proporcionar uma visão geral da produção cinematográfica mundial e nacional; Apresentar uma seleção relevante de curtas-metragens nacionais; Incentivar a criação de novos hábitos cinematográficos; Desenvolver uma análise crítica dos filmes.

Tom Lisboa é Mestre em Comunicação e Linguagens, pesquisador de cinema, fotógrafo e autor do livro “Entre a estatueta do Oscar e o Oscar da estatueta”.

JUNHO / 2008

Primórdios do Cinema Brasileiro (1920-1960)
Data: 9 e 10 de junho 2008
Horário: 19h às 21:15h
Professor: Tom Lisboa
Conteúdo: Contextualização histórica, Ciclos Regionais, Tentativas de industrialização: Estúdios da Cinédia, Atlântida e Vera Cruz
Valor: R$ 80
Informações: (41) 9965-2565 ou tomlisboa@terra.com.br (turma com no máximo 5 alunos)

Cinema Independente Norte-americano
Data: 16 e 17 de junho 2008
Horário: 19h às 21:15h
Professor: Tom Lisboa
Conteúdo: Contextualização histórica, Cinema Noir, Cinema Independente 1960-1970
Valor: R$ 80
Informações: (41) 9965-2565 ou tomlisboa@terra.com.br (turma com no máximo 5 alunos)

Cineclube Contramão



O Cineclube Contramão é a mais recente novidade de entretenimento e lazer em Curitiba. Com programação voltada para o cinema independente, as sessões são quinzenais e acontecem no Espaço Cinevideo, da Vídeo Um.

O Cineclube Contramão foi criado com o intuito de exibir na íntegra para a comunidade filmes menos convencionais e que estão inseridos na contramão do massificado cinema industrial.

Ingresso: Entrada Franca
Horário: 19h
Local: Espaço Cinevideo, da Video Um - Rua Padre Anchieta, 458 - 3223-4343

Próximos filmes que serão exibidos:

13 de junho de 2008
O Mundo (2004,CHI)
Jia Zhang Ke

27 de junho de 2008
São Paulo S/A (1965,BRA)
Luís Sérgio Person

http://www.sintomnizado.com.br/contramao.htm


Curtas ou Longas-Metragens?


Para iniciantes ter os seus vídeos assistidos é o primeiro passo para que as habilidades sejam valorizadas. Assim, começar a trabalhar com cinema através do feitio de curtas-metragens parece mais produtivo do que engatilhar um longa que vai exigir um tempo maior de produção e um telespectador mais dedicado na hora da exibição.

Lembre-se também que é mais fácil mostrar dois curtas do que um longa em um festival. De acordo com o diretor Marcos Jorge, fazer um filme de longa metragem é aquilo pelo qual um diretor se prepara a vida inteira e o maior desafio de um todo nesse processo é enfrentar o papel em branco, contar uma história e acreditar nela a ponto de atravessar todos os obstáculos de uma produção. Para Marcos, o esforço pra fazer um curta não é menor do que fazer um longa. “Num curta você tem que ser muito objetivo e econômico nos meios de contar essa história se não, não dá certo”, afirma.

Na opinião de Marcos nesta história toda de cinema em Curitiba há um ponto a favor dos iniciantes que querem se dedicar aos curtas-metragens. Para ele, manter uma pessoa durante 10 minutos com os olhos na tela é mais fácil do que 2 horas. “No curta é possível exercitar a linguagem e no longa é o momento de dar a cara pra bater”, diz.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Labuta de abelhas


Para fazer cinema é necessário ter uma grande facilidade para trabalhar em grupo. Você, diretor aprendiz deve se colocar como abelha rainha e coordenar o trabalho das operárias para que a colméia fique em pé.

O cinema é um meio de comunicação coletivo, e não individualista. De acordo com Rabiger (2007), a produção cinematográfica é um local de encontro, de colaboração e de compromisso entre roteiristas, dramaturgos, atores, diretores de arte, editores e técnicos de todos os tipos, exibidores, executivos, financiadores e distribuidores. O árduo trabalho destes profissionais torna a produção viável.

Não fomos nós que inventamos isso! Trate de arranjar a sua equipe e ouça a voz de um especialista. Ingmar Bergman considera o cinema um esforço coletivo, no qual a criatividade compartilhada produz algo maior do que a simples soma de suas partes.

No início da carreira é muito comum você assumir funções que nada tem a ver com a direção. Talita Fioravante, acadêmica do 6º período de comunicação da PUCPR e futura cineasta, que o diga! Na produção do curta metragem “As últimas coisas”, que será lançado no final deste mês, além de diretora geral, ela fez um pouco de tudo: cuidou do figurino, foi editora, tesoureira, um pouco marketeira, produtora entre outras atividades. “Por mais que haja um planejamento determinando do que cada um vai fazer no filme é impossível seguir à risca, pois imprevistos acontecem”, diz.

Ao se tornar um profissional do cinema, o trabalho em equipe se torna mais sério. O diretor ganha uma maior autonomia e pode se dedicar exclusivamente à direção. Na produção do filme ‘Estômago’, o diretor Marcos Jorge percebeu a importância de trabalhar em grupo e expressou uma visão do set de filmagem que chega a ser romântica. Marcos julga o set como uma concentração de vida, uma espécie de universo concentrado, no qual todos os problemas e alegrias do mundo se evidenciam. Para ele todas as tensões das relações entre as pessoas se configuram em um processo humano muito rico.

Quero ser cineasta!


Você já teve a impressão de ter nascido na época errada? Pois é. Pode esquecer! O momento nunca foi melhor para estudar cinema. De acordo com Rabiger a indústria cinematográfica sabe perfeitamente que novos cineastas surgirão das universidades e esses estudantes são mais cultos, versáteis e capazes de mudar o cinema que qualquer geração anterior (2007).

No Paraná é difícil exercer a profissão, mas não impossível! Há pontos a seu favor, como a existência de cursos de graduação, pós-graduação e profissionalizantes que podem contribuir para a sua formação em cinema:

FAP - Faculdade de Artes do Paraná
Curso: Bacharelado em Cinema e Vídeo (Graduação)
Características: teórico-prático e visa à formação superior de profissionais dedicados à execução e pesquisa de produções em Cinema e Vídeo.
Informações: www.fapr.br / (41) 3250-7301

PUCPR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Curso: Especialização em Comunicação Audiovisual (Pós-graduação)
Características: atualização e aperfeiçoamento de profissionais na área de audiovisual (com ênfase em cinema e televisão).
Informações: www.pucpr.br

UTP - Universidade Tuiuti do Paraná
Curso: Extensão em Cinema
Características: fornecer referencial teórico para análise e crítica da obra cinematográfica, capacitar discentes a escrever roteiros e produzir/editar curtas digitais, oportunizar a participação em mostras/festivais de cinema e preparar discentes para o mestrado em Comunicação e Linguagens.
Informações: www.utp.br

Centro Europeu
Curso: Cinema Digital
Características: preparar o aluno para atuar profissionalmente em diversas áreas do meio audiovisual que operam com tecnologia digital. O curso conta com a parceria de realizadores cinematográficos de destaque como Fernando Severo, Gil Baroni e Diego Lopes.
Informações: (41) 3222-6669

Apesar das ofertas de cursos em Curitiba, você deve ficar atento. As faculdades de cinema são recentes e têm feito um bom trabalho no ensino da história e das técnicas, porém as melhores instituições são as que tentam deixar o aluno experimentar e colocar para fora suas idéias a respeito do mundo e não engessar a sua criatividade. Além dos cursos de cinema existem também iniciativas de exibição de curtas e longas-metragens produzidos em Curitiba, o que pode ser útil quando você tiver algum material pronto.

Putz - Festival Universitário de Cinema e Vídeo de Curitiba
É um espaço para a exibição dos vídeos produzidos por acadêmicos. A proposta do festival é divulgar e incentivar a produção audiovisual e reunir os estudantes para discutir o tema em encontros com realizadores, profissionais e professores da área, tornando possível o intercâmbio de idéias e informações.

MeMostra
Mostra permanente de filmes paranaenses. Toda última quarta do mês. Inscrições abertas para 2008 e 2009. Regulamento no e-mail para: memostracuritiba@gmail.com

terça-feira, 3 de junho de 2008

Vem aí... "Direção de Cinema - Guia para Iniciantes"



Até o final do mês de junho você poderá conferir as edições de "Direção de Cinema - Guia para Iniciantes". Cá está a oportunidade que faltava para que você se torne de uma vez por todas um grande cineasta!

Michael Rabiger inicia o seu livro, Direção de Cinema - Técnicas e Estética, se apresentando como uma pessoa que passou muitos anos ajudando os outros a darem seus primeiros passos no caminho tortuoso das produções cinematográficas. Dedicamos a primeira edição do “Direção de Cinema - Guia para Iniciantes” a ele, já que nosso intuito é fazer o mesmo pelos jovens aprendizes de diretores, porém no contexto curitibano.

O objetivo do projeto é ensinar o caminho das pedras aos interessados em fazer cinema em Curitiba. A idéia é mostrar quais são os desafios de trabalhar com o cinema no Paraná, um estado com tão pouca tradição de grandes produções audiovisuais. A metodologia compreende entrevistas semi-estruturadas com cineastas curitibanos, pesquisadores do cinema paranaense, estudantes que ambicionam a profissão e produtores que trabalham com a Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Um pouco de cinema paranaense

No final do século XIX, os únicos movimentos artísticos de maior representatividade no Paraná eram as artes plásticas e a literatura. Mas esse cenário estava prestes a mudar.

O cinema chegou rápido no Brasil e, em menos de dois anos após a primeira sessão do cinematógrafo Lumière, em Paris, em 1895, o Paraná já podia prestigiar esse movimento. Isso graças a um cinematógrafo trazido à capital paranaense por uma companhia de variedades itinerantes.

Mas foi só lá por 1907 que o cinema local começou a despertar. Até meados da década de 30, as produções paranaenses se limitaram a filmes documentais realizados por três diretores: Annibal Requião, Arthur Rogge e João Baptista Groff. O cinema era mudo e ainda muito amador. Poucos sabiam distingüir os filmes quanto à qualidade.

De lá pra cá, muita coisa mudou. A utilização do som obrigou os cinemas a investirem em tecnologia, muitos cinegrafistas buscaram profissionalização na Europa ou nos Estados Unidos e os roteiros passaram a ser mais elaborados. Com o advento do digital, as produções também tornaram-se mais baratas, impulsionando o crescimento da indústria de cinema.

O Paraná, que até os anos 30 contava com três cineastas, hoje perde as contas de quantos talentos tem. Alguns dos principais realizadores até então são Paulo Munhoz, Fernando Severo, Marcos Jorge, e Beto Carminatti.

domingo, 25 de maio de 2008

Entrevista com Marcos Jorge




Veja a entrevista com Marcos Jorge, diretor do Estômago no Youtube:

Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=99PkVg60f_U
Parte 2 - http://www.youtube.com/watch?v=UZh2wTd4tNU&feature=related
Parte 3 - http://www.youtube.com/watch?v=LhbfiwDPgwI&feature=related
Parte 4 - http://www.youtube.com/watch?v=LhbfiwDPgwI&feature=related

Produção: Avallon Media

Novelle Vague



Novelle Vague com Heros Fanini


Nesta quarta-feira (28), às 19h30 haverá uma palestra nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação sobre Novelle Vague ministrada por Heros Fanini. Ele apresentará as principais características deste movimento cinematográfico que revolucionou o cinema mundial e foi idealizado por críticos e diretores que escreviam na revista Cahies du Cinéma. Na palestra serão exibidos trechos de alguns filmes que marcaram o movimento. Vale a pena conferir!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Música diegética e extradiegética



Por Maria Eduarda

Como já dito no outro texto sobre sons no cinema, os sons e a música são responsáveis por ajudar a construir “o clima” da cena. Embora Michael Rabiger, no livro Direção de Cinema (Rio de Janeiro, 2007), diz que a música não deve ser usada para intensificar o que já é visto na tela, vemos que música no cinema (e nas telenovelas) são, sim, intensificadoras das imagens. Rabiger diz que a música deve “sugerir o que não pode ser visto” e cita o exemplo clássico dos violinos de Bernard Herrmann em Psicose (1960).

O autor ainda lembra que a música nunca deve entregar o final da história. E também não deve “narrar” todos os acontecimentos. Usada de forma errada e exagerada, a música e os efeitos sonoros podem tornar o filme cansativo. É importante lembrar que o silêncio também é eficaz e pode ser usado a favor da narrativa.

O som que participa da narrativa da película; que faz parte do universo dos personagens, é a música Diegética. Um exemplo é quando, na cena, existe alguém tocando piano, ou ouvindo música. Ou seja, a música existe na cena, e está fazendo parte da história a ser contada.

A música Extradiegética é aquela que é dirigida ao público, ou seja, não faz parte da cena, o personagem não ouve nem reage à ela: “Por definição, a música extradiegética não indica aquilo que vê um personagem porque ela se situa fora de sua história. Ela é, ao contrário, um índice da voz narrativa” (Vanoye, 1989, p. 147)

Referências

RABIGER, M. 2007. Direção de Cinema. Rio de Janeiro, Editora Elsevier
MÁXIMO, J. 2003. A música do cinema. Rio de Janeiro, Editora Rocco.
http://www.revistaav.unisinos.br/index.php?e=1&s=9&a=33
http://www.scoretrack.net/thebirds.html

Som direto, som de produção. Como quiser..

Bruno Hack, microfonista do filme Estômago, fala um pouco sobre o assunto



O som direto, aquele que é capturado no momento da gravação das cenas, é feito para ter as falas dos atores da melhor forma possível. Mas para isso ser feito é preciso ter alguns cuidados. Cortar certas freqüências, escolher o melhor microfone e posicioná-lo de maneira correta na hora da gravação. Falando assim, até parece fácil. Mas o buraco é mais em baixo.

Muitas vezes durante a gravação, dependendo da locação, algum ruído compromete o som do filme e a prioridade no momento é a cena registrada e não o som. Por isso, para ter um som melhor, qualquer fala que faltar, pode ser feita novamente dentro de um estúdio. Tudo para obter o melhor resultado.

Às vezes acontece uma verdadeira guerra entre diretor e técnico de som. Um defende a naturalidade e o outro a qualidade. “Existe um tabu no Brasil de que dublagem é ruim porque perde a naturalidade, mas é só fazer direito. Tudo depende do ator e da direção” diz Bruno Hack, que trabalhou durante a gravação das cenas como microfonista do filme Estômago que estreou no Brasil em abril de 2008. Tudo tem que ser pensado para que no final se tenha um som limpo e bem feito.

“Estômago foi um divisor de águas para o cinema paranaense, pois tinha bastante recurso quando se fala de cinema paranaense”, lembra Bruno. Na relação sinal / ruído, muitas vezes quem ganha é o ruído. Por isso, o melhor a se fazer é tentar obter um resultado melhor no estúdio.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Um pouco de Estômago na PUCPR



Alunos de jornalismo trazem assistente de arte do filme Estômago para coletiva


Alessandro Yamada mostra como foi o processo produtivo do filme

A turma do 6º período de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) convidou nesta quarta-feira (14), às 19h, o assistente de arte do filme Estômago, Alessandro Yamada, para uma coletiva. O profissional apresentou os pontos-chave do processo produtivo do filme e ficou à disposição dos alunos para responder às possíveis dúvidas que surgissem no decorrer do bate-papo.

Alessandro iniciou a coletiva contando como foi parar no filme. Arquiteto de formação e cinéfilo por amor. Por ironia do destino foi através da arquitetura que Alessandro foi convidado a participar da produção do filme. Marcos Jorge sentiu falta de um arquiteto para a cenografia e pediu para que ele desse uma assistência. Alessandro conta que a cela foi construída para o filme. A missão de quem faz a direção de arte é trazer para os lugares a sensação de ocupação humana. “Nós construímos a cela e depois tivemos que sujar, quebrar as paredes, rabiscar e tentar fazer com que ficasse com cara de usada”, disse.

“Estômago aborda a baixa gastronomia e faz coisas feias parecerem belas” afirmou o assistente deixando clara a sua admiração pelo filme. De acordo com ele o trabalho foi árduo. Yamada lembrou que as cenas mais difíceis foram a do Mercado Municipal e a do banquete que Nonato prepara na prisão. Aquela, pela quantidade de figurantes envolvidos e os horários disponíveis para filmagens, e esta pelo fato de que era necessário montar um leitão destroçado e outro inteiro. “Nós compramos um leitão cru e pintamos com verniz para que ele parecesse douradinho”, diz. A turma ficou impressionada ao saber do truque, pois na telinha parecia delicioso.

Outra cena que Alessandro considerou complicada foi a da formiga entrando no nariz de Nonato. A equipe tentou de tudo para a formiga entrar no nariz do João (Miguel), mas nada dava certo. Até que eles tiveram a idéia genial de fazer um molde de resina do rosto de Nonato e colocar um ovo de formiga dentro do nariz do molde. “Assim, instintivamente a formiga foi atrás do ovo e conseguimos fazer a cena”, afirmou.

Além de dar informações sobre o processo produtivo de Estômago, Alessandro falou sobre as dificuldades de produzir um longa paranaense. De acordo com ele o estado está fora do eixo devido ao seu conservadorismo. Alessandro acredita que fazer cinema é contestar e isto é muito difícil em um local em que as pessoas tem uma cabeça fechada e poucas escolas de cinema que formem verdadeiros diretores. “Tecnicamente, Curitiba não deixa a desejar para as outras capitais, porém o problema está no campo das idéias”, disse.

Alessandro alerta os futuros cineastas da turma que fazer um filme não é uma atividade viável economicamente e ainda é algo que, se bem feito, demora muito tempo para ficar pronto. De acordo com ele, um filme bom demora em média quatro anos para ficar pronto entre planejamento, produção e exibição. “É um trabalho que exige paciência e muita força de vontade”, afirma.

Mais informações

Alessandro Yamada
alessandro@zencrane.com

Embrulho no Estômago



Apesar do cenário carcerário e de uma cozinha imunda, o filme Estômago do diretor curitibano Marcos Jorge não dá embrulho no estômago. O filme é um grande achado do cinema brasileiro. O longa-metragem conta a história de Raimundo Nonato (João Miguel), um rapaz humilde que chega à cidade grande na esperança de encontrar uma vida melhor. Na narrativa o destino sorri e depois vira-lhe a cara.

Nonato chegou de madrugada às paisagens curitibanas, faminto. Entrou em um boteco sujo e mal encarado no centro da cidade e pediu duas coxinhas engorduradas. Comeu e dormiu no balcão. Até que o seu Zulmiro (Zeca Cenovicz), dono do bar, acordou-o e pediu para que ele pagasse a conta. Raimundo Nonato recusou, pois não tinha um tostão. Lavou pratos a noite inteira, e na manhã seguinte foi contratado como cozinheiro.

Logo nas primeiras receitas que prepara, o rapaz descobre que tem dom para a cozinha. Com suas coxinhas, Nonato atrai muitos clientes para o bar e se torna conhecido na região. Ao perceber o talento nato de Raimundo, seu Giovanni (Carlo Briani), dono de um restaurante italiano o contrata como assistente. A nova vida trouxe à ele o amor quase doentio pela prostituta Iria (Fabiula Nascimento).

O filme tem uma estrutura não linear que apresenta duas ações que se passam ao mesmo tempo. Uma é a de Nonato iniciando seu trabalho no boteco e outra dele chegando em uma prisão. A curiosidade para saber porque o destino virou a cara para ele é um dos grandes segredos do filme, só revelado no final.

Os atores que participaram da produção são muito experientes e foram escolhidos a dedo. João Miguel, o protagonista, é um personagem cativante que apresenta uma linha tênue entre ingenuidade e esperteza. Não é a toa que ele ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Punta del Este.

Alessandro Yamada, assistente de arte do filme afirma que a escolha dos atores não foi nada fácil. Muitos testes foram feitos até chegar à composição do elenco. “A Fabiula Nascimento se esforçou muito para conseguir o papel”, diz. Marcos Jorge estava em dúvida entre ela e a Guta Stresser. Na escolha, a gordinha foi contemplada, pois ela dava conta do recado.

O filme foi feito com muito cuidado, cada detalhe foi estudado previamente. A produção dá uma esperança aos curitibanos que o cinema da terrinha pode crescer e se tornar tão bom quanto os do eixo Rio-São Paulo. Digo aliviada que da boca ao ânus, Estômago faz um espetacular caminho digestivo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O som do cinema brasileiro é de Curitiba

Você sabia que o som do filme Tropa de Elite foi feito em Curitiba?

Desde o início do cinema, na década de 20, existe a tentativa de casar a imagem com um som sincronizado. Durante 30 anos essas tentativas evoluíram para o cinema praticamente mudo sendo acompanhados por música ao vivo, com pianistas nas salas de cinemas, e poucos efeitos sonoros e narrações.

O cinema evoluiu, o som no cinema também. Hoje existem engenheiros de áudio especialistas em criar e recriar sons em filmes. Conversamos com Alessandro Laroca e Eduardo Virmond Lima, dois curitibanos engenheiros de áudio responsáveis pelo som de mais de dez filmes brasileiros, como Tropa de Elite e Cidade de Deus.

O som deve ajudar a definir a linha da história contada pelas imagens. No set de filmagem, dificilmente o diretor tem a preocupação com os sons que podem vazar. As locações são construídas com pouca – ou nenhuma – consiência das implicações para o som. E é aí que entra o trabalho do engenheiro de áudio. Capaz de estudar todas as possibilidades de som para o filme, captar outros sons e sincronizar de forma harmônica com as imagens.

O som construído em cima da cena em que o Capitão Nascimento está no seu carro S10, não é o mesmo captado pelos microfones do set de filmagem. O som veio com falhas e “sujo” demais para poder ser usado. Por isso, Eduardo Virmond pegou carona com a S10 do seu irmão para gravar o som do automóvel e colocar na cena de Tropa de Elite. O mesmo aconteceu com Cidade de Deus: em algumas cenas, o som original não podia ser usado, por isso Eduardo foi até bairros carentes de Curitiba e captou sons de carros, cachorros, crianças brincando na rua e sincronizou com as imagens do filme. Pouca gente sabe que os sons de favela de Cidade de Deus são na verdade sons de bairros de Curitiba.

O engenheiro de áudio trabalha basicamente com quatro variáveis:

Diálogo – quando não é bem feito – ou quando o som está “sujo” demais com outros sons, às vezes é preciso fazer o ator dublar em estúdio a cena.
BG – são os chamados “bafos”. Sons existentes naturalmente em qualquer ambiente.
Efeitos de BG – são os efeitos criados em cima dos BGs já existentes. Como tiros.
Foley – chamado também de “ruídos de sala”. É a técnica que faz com que o som já capturado no set seja reforçado, tornando o ambiente sonoro mais vivo, dando também mais espacialidade, através de passos, sons de objetos caindo, sons de movimentação dos atores. Quem inventou essa técnica foi Jack Foley, editor de som da Universal Studios no início da década de 50.

O desenho de som ajuda a definir situações: cena de tensão; música de tensão, passos e som de respiração. Eduardo Virmond acredita que manipular o som a favor do filme ajuda a construir a história a ser contada. E lembra: "Todos os elementos, tanto visuais como auditivos devem trabalhar juntos. O som só é bem feito quando não se consegue percebê-lo".

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cinema de Ciro Matoso



Ciro Jocelim Matoso aprendeu a gostar de aventuras ainda quando criança. Não é qualquer um que viaja de canoa para mudar de casa. Aos nove anos, Ciro saiu do litoral de São Paulo com a família em direção a Paranaguá - cidade que o despertaria para seu ofício de vida, o cinema. Inspirado por filmes de bang-bang, que assistia em matinês, e em atores como John Wayne, protagonista de No Tempo das Diligências, o cineasta conta as interessantes histórias de suas obras como quem se orgulha do que fez e ainda quer mais.
Com 70 anos , Ciro Matoso já foi ator, produtor, diretor, cinegrafista, e qualquer outra atividade que possa haver no meio, de sete filmes. Despojado, ele conta que busca sempre trazer à tona o que há de interessante no cotidiano de Paranaguá. Por isso, a religiosidade é tema presente em quase todos seus filmes.
Aparição da Virgem do Rocio, sua primeira obra cinematográfica, foi premiado no 1º Festival Brasileiro de Filme Super 8 e no Festival da Escola Técnica da UFPR. Seus primeiros longa-metragem foram filmados com uma Super 8, e os últimos foram gravados com uma câmera própria, não-profissional.
Ciro consegue produzir seus filmes graças a colaboração de amigos, que atuam e trabalham na produção de arte e no comando da câmera. Seu último filme teve a ajuda de um menino que atuou como cinegrafista, tendo apenas 10 anos. Ainda há apoio financeiro e de divulgação por parte da prefeitura da cidade e de empresários locais.
Filmografia:
Aparição da Virgem do Rocio – 1975
A Lenda das Encatadas – 1978
Grazy na terra do King Kong (animação com bonecos) – 1979
Aposta MacabraJoanita Doce Caiçara – 1995
Jurema, a Última Guerreira – 1993
O Mistério da Casa Afundada – 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

11º Dia de Filmagem (06/05)

O sonho de Alfredo continua... O avô agora é o pai e tudo acontece em um grande show da vida!
Luis Filipe Godinho muito nos honrou com a sua participação.

- Mas ele vai apresentar um show de roupão e chinelo?
- Aham!



Duda se tornou assistente de palco. Sorridente ela entrega envelopes coloridos ao pai de Alfredo.

- O que? Assistente de palco? Envelopes coloridos?



Neste misterioso roteiro tem até venda de álibis, pães voadores e uma praia em 3D!



Chegamos a conclusão de que Tato França é um Alfredo perfeito! Sem tirar, nem pôr!
Tato: "- Na verdade eu não sou ator! Eu só quero aparecer"



Alfredo é um sonhador glutão! Cá estão os lanchinhos. A coxinha parece apetitosa!



Curioso para entender qual é a moral do curta? Esta vai ser a última coisa que você vai saber.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

10º Dia de Filmagem (30/04)

Alfredo continua sonhando no 10º Dia de Filmagem! Dona Ilka, a senhora da igreja, senta no cubo e manda ver!


A senhorinha da igreja deu um show de interpretação! Nestas horas quase esquecemos que estamos só brincando de ser cineasta.



Saldo do dia: produtivo

Bastidores

- E esta maquete aí?! De onde surgiu?
- Do ateliê de uma "profissional"!
- R$ XXX não é muito caro? (que vergonha de colocar o preço very expensive!!!)
- Nãããão! Imagina!
- 20X20 não é muito pequena?!
- Nãããão!
- Por que vocês mandaram fazer?
- Você saberá na próxima filmagem!
- Quem é aquele ali na praia? o Náufrago?
- Não adianta perguntar... Minha boca é um túmulo!



9º Dia de Filmagem (28/04)

Felipe, nosso roteirista, trabalhou duro nas últimas semanas... escreve, escreve, escreve... apaga, apaga, apaga... escreve, apaga, escreve... e pronto! Aí está!


Alfredo sonhou com um grande amigo...



E que sonho...

Saldo do dia: produtivo

Ciro Matoso, o cineasta de Paranaguá

Fomos conversar com Ciro Matoso, o cineasta parnanguara. No último dia 19 de março, ele lançou "O Mistério da Casa Afundada" na Associação Atlética Banco do Brasil de Paranaguá. Esse post, na realidade, serve mais pra matar nossa vontade de colocar o flyer do filme no ar. Não é uma maravilha? Você não conseeguirá perceber mas o penúltimo ator, da esquerda para a direita, é ninguém menos que Gilmar Massafera. Quem é Gilmar Massafera? É o pai da Grazi Massafera - morador de Paranaguá. Agora vai a outra parte do flyer:



terça-feira, 15 de abril de 2008

8º Dia de Filmagem (14/04)

Dia, Segunda-feira, Estúdio de TV. A semana começa com novos ares. Sidney e Júnior montaram o nosso cenário. Talita queria um túnel! Panos pretos, escadas, barbantes e tudo pronto. Onde estão os atores?



O Pirata Felipe e a Princesa Viviane se preparam para a atuar em mais um flash back de Alfredo.



Muita seriedade não é bom para o nosso trabalho! Pausa para umas risadas.



Saldo do dia: produtivo

domingo, 13 de abril de 2008

6º e 7º Dia de Filmagem (11-12/04)

Noite, sexta-feira... 21h30 a equipe saiu de fininho da aula de Direito para buscar o equipamento na BR. 22h30 Câmera, luz e áudio no carro. Combinamos de passar o tempo na casa da Duda até as 5h, o horário combinado para a filmagem da cena do Alfredo andando de bicicleta em direção ao Cemitério. Chamamos uma pizza, jogamos Guitar Hero (videogame), tentamos jogar Scotland Yard...



Mas lá por 3h fomos nocauteados pelo cansaço da semana. Cada um procurou um cantinho pra roncar.



4h o relógio tocou e acordamos para o dever! O nosso ator estava chegando com a Priscila e às 5h precisávamos pegar a linda bicicleta verde no Extra Alto da XV. Hmmm.. Tl, a história da bicicleta merece ser contada...

Um dia eu e a Talita estávamos chegando na PUC quando vimos uma bicicleta verde linda, perfeita para a cena do Alfredo indo para o Cemitério. Então, resolvemos agir com a nossa cara de pau. Deixamos na bicicleta o seguinte bilhete: "Olá, somos alunas do 6º período de jornalismo e estamos fazendo um curta. Adoraríamos fazer uma cena com a sua bicicleta verde. Ela é perfeita! Nosso número é tal". O piá aceitou emprestar a bike nas nossas condições: "Precisamos da bike no sábado de manhã às 5h, ok?". O piá: "Ok! Sem problemas!".



Ai, o nosso ator não chega! O que houve? Liga daqui, liga de lá.



Ufa! Ligação da Pri. Marcamos o encontro no Extra para pegar a bike e o ator. Achamos uma rua ideal para gravar a cena do Alfredo andando de bicicleta, a Vitor do Amaral era a mais iluminada. No visor da câmera, tudo escuro... No céu, muitas nuvens. Será que vai chover?! "Olha a boca!" Começou a garoar e a nossa filmagem acabou ali. De volta na casa da Duda, resolvemos gravar uma nova cena interna. Alfredo brincando com o cachorrinho.



A garoa deu uma trégua e fomos na frente da Duda para fazer mais uma tentativa de filmagem. Alfredo montou na bicicleta (sem freio), embalou ladeira abaixo e levou o maior tombo de sua vida... Encontramos o Alfredo todo torto caído no quintal de uma casa e a bike, com os dois pneus furados... Por sorte o nosso protagonista não sofreu um acidente mais grave, pois ele cruzou uma preferencial antes de cair. Alfredo se salvou por pouco. Antes a bicicleta do que o nosso protagonista.



Ficamos muito frustrados com o esforço em vão. Tinha tudo para dar certo, não fosse a chuva! A autorização para filmar no cemitério estava prontinha:

"Está autorizado pela Divisão de Serviços Especias a gravação de uma cena, conforme pedido abaixo com a seguinte ressalva: que os sepultamentos no referido cemitério ocorrem a partir das 9h da manhã. Portanto, a equipe estará sujeita a interrupções no periodo compreendido entre 9h e 10h. Qualquer dúvida no local procurar Sr. Mizael Atenciosamente Celia Hosoume Relações Públicas SMCS/CSRP 3350-8870"

Nosso curta sofrerá um pequeno atraso...

Saldo do dia: improdutivo

sábado, 12 de abril de 2008

Não vimos o sol desta vez

No sexto dia de gravação, o clima e o horário não condiziam com o nome do filme, que é "Eu vi o sol". Fazia frio e garoava. A madrugada escura prejudicou um pouco as imagens, e a chuva, logo cedo, impossibilitou a gravação no Cemitério São Francisco de Paula. Fazer o que...

Mas a experiência foi válida e nos trouxe aprendizado. Percebi o quão minucioso deve ser o planejamento do processo produtivo de um filme, ainda mais quando não se tem o apoio de um cinegrafista e quando todo tipo de imprevisto ocorre.

Tudo exige uma solução imediata, e essa certa pressão que nós mesmos nos impomos pode ser tanto motivo de desmotivação quanto de um ânimo novo, de uma vontade ainda maior de conseguir. Ainda bem que nos encaixamos no segundo caso.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

5º Dia de Filmagem (10/04)

Noite, Casa da avó do Eduardo, Luciano pilotando a câmera mais uma vez.

Talita orienta: "Vamos começar pela cena da mãe do Alfredo deitada na cama, sem esperança"

Penumbra, 40°C dentro de casa, e a tia do Eduardo aceita ser a nossa figurante, mãe do Alfredo. Tadinha, ela teve que deitar na cama com o cobertor até as orelhas para filmarmos a primeira cena!


Avô do Alfredo, vestido com o pijama do pai da Talita, se prepara para fazer a cena em que ele vai conferir se a sua filha (mãe do Alfredo) já se levantou.




Agora está na hora do avô fazer o café. Luciano arruma a luz, o áudio e a câmera. Talita diz "ok" para o enquadramento! O Sr. Luiz incorpora um velho chato e sisudo que só reclama da vida. O velhinho português nos surpreende! Sua interpretação é impressionante!



Depois da gravação o avô e o neto aproveitam para trocar figurinhas! Sr. Luiz mostra que é um português sorridente e muito simpático, bem diferente do velhinho manco que fez o café.



Saldo do dia: produtivo.

Bastidores

Eu e a Talita estávamos no Terminal do Portão, às 18h30, esperando o Gustavo, quando presenciamos dois assaltos (um deles com uma arma). Nós ficamos muito assustadas! Celina, no sentido literal, não mais "daremos a nossa vida" pelo filme. Faremos o possível para fazer um curta de boa qualidade, mas Terminal do Portão, NUNCA MAIS!

4º Dia de Filmagem (09/04)

Noite, Empório São Francisco, Luciano pilotando a câmera. Figurantes e atores preparados para mais uma filmagem...



Tudo certo até que a nossa luz derreteu o filtro de linha do Empório! Corre de lá, corre daqui e o técnico de som do bar se propôs a nos dar uma força. Começamos bem... com prejuízo! Menos R$40 no orçamento do curta. Ainda bem que terminamos as cenas a tempo de não demolir o Empório com as nossas peripécias.

Luz! ok! Câmera! ok! Som! ok! Ator? A nossa diretora Talita foi orientar o pai de Alfredo! Na verdade, ele nem precisava de orientação!!! Logo na primeira cena percebemos que o Daniel nasceu ator! Ele deu vida ao roteiro! Valeu, Daniel!


Depois de todos os enquadramentos fechados no pai do Alfredo, chegou a hora da interação entre de pai e filho.. Cerveja no copo e orientações ao Gustavo, nosso querido protagonista Alfredo!

Felipe: "Gustavo, fala GÊNESIS"!
Gustavo: Gênesis!
Felipe: Não, GÊNESIS!
Gustavo: "GÊNESIS"!
Felipe: Muito bom!


Talita acertou os últimos detalhes e... "Gravandooooo"!

Duda fazendo graça: "Eu posso falar com o ator?"
Talita explica: "Não Duda, você é figurante!
Duda tomando cerveja: "Aaaaaaaah! Hauahauahaua!"



Felipe se encarregou do making off ao Blue Night (nossa gelatina azul tutti frutti).



Bastidores

Na saída do Empório, o Eduardo ofereceu uma carona pra mim e pra Thaís já que nós moramos pro mesmo lado da cidade. A Duda saiu do bar junto com a gente, nos despedimos e cada um foi pro seu carro. A Thaís viu que tinha um cuidador de carro muito mal encarado perto do carro da Duda. Então, ela pediu pro Edu esperar a Duda entrar no carro pra ver se o tal cuidador não ia assaltar. Paramos o carro na quadra da frente e a Thaís ficou olhando pelo retrovisor para ver se a Duda estava bem. De repente...

Thaís pula do carro e grita: "Heeeeeeeeeeeeeeei..."!
Eduardo puxa o freio de mão, sai do carro e grita: "Oooooooouuhh"!
Ju com o celular na mão: "190! 190!"

30 segundos depois...

Thaís: "O cuidador-assaltante era só um amigo da Duda".

HAUAHAUAHAUAHAU!

Saldo do dia: produtivo

terça-feira, 8 de abril de 2008

Coisas, coisas, coisas

Dando as caras no blog aqui – pra mostrar serviço. Na verdade, quando eu entrei no curso já soube que ia rolar um curta no sexto período. Dez, isso é dez. Fiquei esperando por esse momento. Então, na cara do gol, deu uma preguiça.

É dose. Tinha umas idéias na cabeça e escolhemos a pior para mostrar pra professora. Mas a Celina meio que torceu a cara e a gente retrocedeu. Resolvemos fazer direitinho, levamos outro roteiro. JÓIA. No fim das contas, foi.

É muito engraçado ver aquilo ali do papel sendo falado. A coisa ganha outra cara, cada um imagina de um jeito. A gente vai se empolgando.

Eu quero ver no que vai dar. Nessas alturas, eu chamaria o filme de “O Monstrengo”.

3º Dia de Filmagem (08/04)

Dia, 8 de abril, casa da avó do Eduardo, simulação de noite. Sidney já está pronto para começar a filmar.


Gravamos a cena de abertura. Brinquedos espalhados pela escada e os créditos subindo.



O Marcelinho registrou o Sidney pisando nos nossos brinquedos!




Cena do sofá. Alfredo escuta a voz do avô.



Simulação da noite. Sentimos falta da gelatina de tutti-frutti azul - Blue Night.



Pausa para o lanchinho gentilmente cedido pela tia do Eduardo, mãe do Alfredo. Os chocolates e a coca-cola estavam uma delícia!



Saldo do dia: produtivo

* A próxima filmagem será amanhã (9) no Empório São Francisco das 18h30 às 22h. Precisamos de figurantes, portanto quero ver toda equipe lá.