terça-feira, 20 de maio de 2008

Um pouco de Estômago na PUCPR



Alunos de jornalismo trazem assistente de arte do filme Estômago para coletiva


Alessandro Yamada mostra como foi o processo produtivo do filme

A turma do 6º período de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) convidou nesta quarta-feira (14), às 19h, o assistente de arte do filme Estômago, Alessandro Yamada, para uma coletiva. O profissional apresentou os pontos-chave do processo produtivo do filme e ficou à disposição dos alunos para responder às possíveis dúvidas que surgissem no decorrer do bate-papo.

Alessandro iniciou a coletiva contando como foi parar no filme. Arquiteto de formação e cinéfilo por amor. Por ironia do destino foi através da arquitetura que Alessandro foi convidado a participar da produção do filme. Marcos Jorge sentiu falta de um arquiteto para a cenografia e pediu para que ele desse uma assistência. Alessandro conta que a cela foi construída para o filme. A missão de quem faz a direção de arte é trazer para os lugares a sensação de ocupação humana. “Nós construímos a cela e depois tivemos que sujar, quebrar as paredes, rabiscar e tentar fazer com que ficasse com cara de usada”, disse.

“Estômago aborda a baixa gastronomia e faz coisas feias parecerem belas” afirmou o assistente deixando clara a sua admiração pelo filme. De acordo com ele o trabalho foi árduo. Yamada lembrou que as cenas mais difíceis foram a do Mercado Municipal e a do banquete que Nonato prepara na prisão. Aquela, pela quantidade de figurantes envolvidos e os horários disponíveis para filmagens, e esta pelo fato de que era necessário montar um leitão destroçado e outro inteiro. “Nós compramos um leitão cru e pintamos com verniz para que ele parecesse douradinho”, diz. A turma ficou impressionada ao saber do truque, pois na telinha parecia delicioso.

Outra cena que Alessandro considerou complicada foi a da formiga entrando no nariz de Nonato. A equipe tentou de tudo para a formiga entrar no nariz do João (Miguel), mas nada dava certo. Até que eles tiveram a idéia genial de fazer um molde de resina do rosto de Nonato e colocar um ovo de formiga dentro do nariz do molde. “Assim, instintivamente a formiga foi atrás do ovo e conseguimos fazer a cena”, afirmou.

Além de dar informações sobre o processo produtivo de Estômago, Alessandro falou sobre as dificuldades de produzir um longa paranaense. De acordo com ele o estado está fora do eixo devido ao seu conservadorismo. Alessandro acredita que fazer cinema é contestar e isto é muito difícil em um local em que as pessoas tem uma cabeça fechada e poucas escolas de cinema que formem verdadeiros diretores. “Tecnicamente, Curitiba não deixa a desejar para as outras capitais, porém o problema está no campo das idéias”, disse.

Alessandro alerta os futuros cineastas da turma que fazer um filme não é uma atividade viável economicamente e ainda é algo que, se bem feito, demora muito tempo para ficar pronto. De acordo com ele, um filme bom demora em média quatro anos para ficar pronto entre planejamento, produção e exibição. “É um trabalho que exige paciência e muita força de vontade”, afirma.

Mais informações

Alessandro Yamada
alessandro@zencrane.com

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