terça-feira, 10 de junho de 2008

Entrevista com Marcelo Munhoz

Marcelo Munhoz é um artista completo: é ator, diretor e roteirista. No teatro, realizou o espetáculo Paredes de Vento, em 1995, que rendeu-lhe 15 premiações. Também atuou nos espetáculos Killer Disney (vencedor do prêmio Gralha Azul de 1998), e Fragmento B3 (indicado ao Gralha Azul 2001 de melhor ator).

No cinema, Munhoz também não deixa a desejar. Desde 2002, atua como diretor de atores para vídeo e cinema. Desde 2003, coordena, ao lado do cineasta Paulo Coelho, o Projeto Olho Vivo, centro de formação e produção audiovisual.

- Quais são as maiores dificuldades de trabalhar com cinema em Curitiba?
São as mesmas do resto do Brasil, ou seja, o cinema não se desenvolveu tanto, não havia escolas. De três anos pra cá está havendo uma melhora significativa, com criação de escolas, pesquisas, qualidade técnica e artística. Há dez anos era uma aventura fazer um filme, documentário... Hoje em dia também é, porém ficou mais fácil, já que houve um barateamento na produção. Mas devagar e com muito esforço nós vamos melhorando.

- Na sua opinião, que características um jovem deve ter para começar a trabalhar com cinema?
Independente de ter ou não sucesso, você tem que gostar muito do que faz. Somente "namorar" não basta, o dia-a-dia é muito trabalhoso. Existem várias funções no cinema, como câmera, escritor, produtor, etc... Em algum momento, você deve descobrir o que quer de verdade.

- Há muitos que falam que se deve ter um dom para trabalhar com cinema. O que você pensa a respeito?
O dom a gente desenvolve. Eu trabalho com arte há 20 anos e já vi muita gente com talento que não se desenvolveu, e outros com muita vontade que deram certo.

- A internet contribui para a divulgação de produções independentes? De que forma?
Sem dúvida, a internet é uma arma poderosa, um canal maravilhoso para quem souber usar de forma produtiva. Antes só havia a TV e o cinema era restrito e limitado. Eram os "donos" que definiam o que você via, escutava. Hoje existe o You Tube, por exemplo. Lá existem coisas boas e ruins, mas você pode escolher o que quer ver.

- Você trabalha no Projeto Olho Vivo. Pode explicar como ele funciona?
Esse projeto existe há cinco anos. Temos uma oficina de audiovisual, cursos de roteiro, edição, interpretação... Já fomos inclusive premiados. (http://www.projetoolhovivo.com.br/).

- O que falta para que o Paraná consiga um lugar de destaque na indústria cinematográfica nacional?
É só continuar a fazer o que está sendo feito hoje, produzindo mais e com mais qualidade. Eu acho que Curitiba tem vocação para teatro e que o clima frio ajuda a manter essa tradição. Mas ao longo das décadas o cinema vai indo por este mesmo caminho, conquistando cada vez mais espaço e conseguindo apoio. Mas tudo se constrói com trabalho.